Colocação de uma nova cache

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Gostou tanto do Geocaching que decidu participar de uma forma mais envolvente? Conhece um local óptimo e único para partilhar com a comunidade? Um local que talvez só seja conhecido dos locais e, se o partilhar, dos Geocachers? Ou, mesmo tratando-se de um local facilmente localizável e bastante frequentado, tem um ideia nova para colocação de uma cache? Está disposto a fazer visitas de manutenção da sua cache quando ela o necessitar?

Então, o primeiro conselho que deve seguir, se não o fez já, é o de procurar algumas caches de cada tipo existente para ter uma ideia de como se faz. Depois, uma leitura nas guidelines do geocaching.com, ou nos traduzidos Requisitos, ajudá-lo-á a documentar-se para não cometer erros básicos que possam levar à não aprovação da cache ou a receber reclamações das visitas à sua nova cache que foi preparada com tanto empenho. Finalmente, e porque isto não está claramente listado nas guidelines, considere os seguintes items para colocar nas sua cache:

Micro cache;

- stashnote

- logbook

- pequeno lápis e afia


Small cache;

- stashnote

- logbook

- pequeno lápis e afia ou caneta

- pequenas prendas

- saco ziplock para proteger stashnote e logbook


Regular/large cache;

- stashnote

- logbook

- lápis e afia ou caneta

- prendas

- saco ziplock para proteger stashnote e logbook

- documentação sobre o tema e/ou o local que a cache pretende mostrar


Consulte mais informações sobre stashnote e logbook.




O texto que segue foi adaptado do original que se encontra, na integra, neste tópico do Fórum do Geocaching-PT, onde o geocacher descreve alguns exemplos concretos, de caches reais, escondidas em locais (ou de formas) que poderiam ser melhoradas.

Pretende-se assim chamar a atenção para alguns detalhes que podem fazer a diferença entre uma geocache bem ou mal escondida, com condições para se manter muitos anos ou apenas até à próxima tempestade.

"

  • (...) cache colocada num (...) espaço aberto e muito exposto aos olhares dos muggles, que podiam observar os meus movimentos praticamente 360º à minha volta. Causa um grande desconforto ao geocacher e põe em perigo a própria cache.
  • outra cache foi colocada num sitio excelente, a salvo de olhares indiscretos, bem camuflada, mas no fundo de uma cova. Ora, à primeira chuva que caia, o container vai ficar encharcado e o seu conteúdo húmido. (...)
  • outra deve ter sido posta num lugar exposto à deslocação de terras, provável e previsível num lugar com o relevo e a meteorologia de um lugar montanhoso, de terreno argiloso, com muita humidade e bastante chuvoso. Desapareceu certamente por isso.
  • outra estava no meio de uns arbustos, em zona de grande altitude. Quanto a esta, penso que a humidade quer do local, quer do contacto com a vegetação levou à danificação do papel do logbook, apesar de estar dentro do container. Penso que não seria difícil ter encontrado umas pedras para pôr por baixo e à volta da cache, para impedir o crescimento da planta sob a cache e tentar proteger esta da humidade (sendo certo que no local e altitude onde se encontra dificilmente escapará aos efeitos da humidade).
  • outra encontrava-se em situação semelhante, mas a menos de dois metros de uma fonte de água. Embora a altitude fosse menor, o facto de a cache estar em contacto directo com o solo húmido também danifica o conteúdo do container. Colocar umas pedras sob a cache não teria sido difícil.

Em resumo, sempre que possível, quando esconder novas caches (...), e depois de ler cuidadosamente as guidelines do geocaching.com, vou tentar escolher um esconderijo / sitio:

    • reservado dos olhares dos muggles, ou onde estes habitualmente não encontrem interesse - assim protejo a geocache e o geocacher que esteja a procura dela.
    • protegido das humidades o mais possível - para não danificar o conteúdo da cache (sobretudo o logbook).
    • afastado de onde possam ocorrer enxurradas/deslocamente de terras, ou protegido com uns calhaus grandes.
    • vou escolher um contentor de tamanho, cor e forma adequados ao local/esconderijo, que seja estanque e resistente (quer ao calor, chuva, frio, quer a pressões - p. ex. pedras colocadas em cima)"


Se está a ler isto é porque provavelmente planeia esconder uma cache algures. Não se esqueça de ler com atenção as guidelines do geocaching.com e esclarecer no fórum as suas duvidas antes de ir "para o terreno".



Outro texto interessante e que engloba cada pormenor da colocação de uma cache é o texto que se pode encontrar num dos blogs de um geocacher português e que aqui transcrevemos:

Como criar uma bela cache física em 10 Lições

Prefácio: as técnicas descritas podem revestir-se de graus distintos de subjectividade, e, em última instância, serem desaconselhadas por alguns com perspectivas distintas. Trata-se portanto de uma colecção de conselhos de cunho pessoal e não dogmático. Ah! O título fala em cache física porque se refere a tesouros com um contentor, que têm uma existência real e palpável. Não é uma alusão à ciência química… digo… física.

Lição 1: As linhas condutoras. também conhecidas como guidelines, para os amigos. Justas ou injustas, se não forem respeitadas a cache não será publicada, kaput, finito, the end. É por isso o único passo verdadeiramente imprescindível. Ler aqui as guidelines.

Lição 2: O contentor. Altura de desfazer uns pseudo-dogmas que com o tempo se ajeitaram entre nós: que eu saiba nada é obrigatório na altura de criar a caixa e respectivos conteúdos. A stashnote (papelinho onde se explica o que é o Geocaching, caso a nossa criação venha a cair nas mãos do inimigo), as prendinhas, e, sobretudo, o saco de plástico. O que é preciso é um logbook. E mais nada. Tudo o mais vem por dedicação e amor, não por obrigatoriedade:

  • Pois que se coloque o livrinho para os logs dentro de um contentor, e que este seja uma obra prima de criatividade ou um tupperware da melhor qualidade. Caixas de metal são má ideia devido à facilidade com que a ferrugem as começa a roer.
  • Algo para o visitante escrever as suas impressões poderá dar jeito. Uma esferográfica, caneta, lápis… sendo que este último é mais resistente a tudo, e dimensionável segundo o tamanho do contentor, recomendo-o. Já agora, seja lá o que for, não lhe fará grande diferença viver fora do saquito de protecção extra em que quase todos botamos o logbook… e assim se evitar que o bico do elemento de escrita rompa esse plástico.
  • Que se imprima a folhita a explicar o que é o Geocaching, de preferência em português e inglês, para que o achador casual da cache possa resitir à tentatação de a magoar.
  • Que se ponham lá para dentro uma colecção de prendinhas capazes de interessar à maioria das pesssoas, sem esquecer que algumas coisas são interditas à luz das linhas condutoras. Nada de camisinhas de Vénus, que as crianças podem ficar curiosas fora de tempo; nada de caramelos ou outras coisas para comer, que a bicharada vai concerteza danificar a cache para chegar até elas.
  • Até se podem deixar artigos de manutenção antecipada dentro da caixinha: lápis extra, sacos de plástico de reserva (vide ponto seguinte), um segundo logbook.
  • Se for conveniente, que se envolva tudo num saco de plástico. Não porque é costume, por favor. O saco de plástico é boa ideia se ajudar a camuflar a cache. Um saco de plástico cinzento para uma cache escondida entre rochas cinzentas é boa ideia. Eventualmente, apesar de algumas teorias em contrário, é capaz de ajudar a proteger da água da chuva. Mas nesse caso, será uma patetice colocar um saco a envolver uma cache deixada num buraco onde nunca chega água: nem precisa de camuflagem nem de protecção, e só se está a criar um naco de lixo que com o tempo se começará a desfazer e a espalhar por ali. Ah! Se o cenário aconselhar à colocação de um saco, nem pensar em dar nós! Para além de irritar toda a gente, pode entrar para a lista negra do MAN (Movimento Anti-Nós, liderado pelo mullah Portelada). E não queremos que lhe aconteça… isto!

Lição 3: Selecção. Agora que a caixinha está pronta, há que a botar no ninho. Não vou aqui falar do local onde criar uma cache, que isso cada um sabe da sua vida. Mas uma vez que está decidido a partilhar com a comunidade um local que gosta, não há razão para que o ponto exacto do esconderijo não seja cuidadosamente pensado. Por exemplo, não existe nenhuma razão para a deixar em linha de vista directa para a entrada de uma esquadra de polícia (já encontrei três nessas condições), de uma vigia de incêndios ou da portaria onde se abriga um agente de segurança. Olhe bem em seu redor e imagine o local noutras circunstâncias. Se é Domingo, as coisas poderão ser diferentes aos dias de semana. Depois, considere o impacto ambiental que a invasão de geocachers terá no ponto. Há uns anos, quando tinhamos visitas nas nossas caches de tempos a tempos, não era preciso especiais preocupações neste aspecto. Actualmente, com as caches a poderem ter mais de uma dezenas de “founds” no primeiro dia, e centenas por mês, é preciso imaginar o que esses pares de pés todos poderão fazer a um canteiro, a um jardim… e o que esses pares de mãos todas poderão causar a um muro de pedra centenário. Sobretudo nas cidades, tente encontrar um local à prova de destruição. Mesmo duzentos geocachers totalmente educados e sensibilizados não poderão evitar de deixar marcas, no seu todo.

Lição 4: Informação. Até pode parecer que agora só falta preparar a página com toda a informação sobre a nossa cache. Reparou na palavra “toda”? Pois bem. Como sabemos não e obrigatório nem nada que se pareça, mas disponibilizar informação sobre o local onde está a cache ou o evento a que alude, seja ele uma igrejinha ou a marcação do local onde se deu uma batalha é coisa simpática. Mas para além do “background” é vital que não se esqueça de fornecer todos os dados essenciais à acção do geocacher. Se a área só está acessível dentro de um determinado horário, se uma maré bloqueia o acesso durante parte do dia, se ir de calções é sentença de morte para a patinhas… tudo isso importa, e muito ao geocacher, e tenho cá para mim que mantê-lo na ignorância até ao momento em que ele chega apenas para constatar que não poderá alcançar a cache é mau.

Lição 5: Universalidade. O ideal é que todos falássemos Esperanto. Mas o mundo não é ideal e a generalização linguística sempre foi vista como uma ameaça à soberania e ao poder dos Estados, bem secundados pelos seus cidadãos. Assim, ao longo dos tempos, o latim, o francês e o inglês, por esta ordem, foram constítuidos línguas francas na nossa civilização. Hoje, como se entendem os finlandeses, árabes e croatas, os russos, portugueses e coreanos, os chineses, peruanos e húngaros? Quando uns viajam até aos outros, esperarão que se fale na sua língua materna? Deverão aprender a língua? E quando aqueles recebem estes, é legítimo esperarem que tenham aprendido a sua língua? Não, não e não. As fronteiras demoram segundos a serem cruzadas, aprender uma língua leva anos. Mas comunicar é vital. Como é possível articular este problema? Aprendendo pelo menos a língua franca, que nos nossos tempos, goste-se ou não, é o inglês. E no Geocaching, é a mesma coisa. O jogo é universal, criado e baseado num país de língua inglesa, e com um website em inglês. Criar uma cache sem uma versão internacional, perceptível pela esmagadora maioria dos viajantes é mau. Raia o banditismo se a ausência for fruto de uma bacoca convicção nacionalista ou qualquer outra ainda mais rebuscada. É apenas inconveniente no caso de se dever a distração ou incapacidade linguística. Para resolver este último problema, não faltam voluntários para a ajudar na tradução, aproveite a boa vontade alheia. Porque, quanto mais não seja, um dia poderá ter a possibilidade de procurar cache num outro país e não vai gostar de ser tratado como tratou os outros. Ah! Tradutores automáticos, esqueça. Os resultados são simplesmente anedóticos.

Lição 6: Manutenção. Digam lá o que lhes parece mais correcto: quando se pensa em “criar um filho”, está-se a falar de uma noite em que nos deu o cio e lançámos a nossa semente em ventre fértil (ou vice-versa) deixando uma barriguita a crescer durante nove meses, ou de anos a fio a cuidar de um ente desprotegido que precisa da nossa atenção constante? É a segunda não é? Pois então com as caches é a mesma coisa. Criar implica cuidar. Não é só deixar para lá a caixa e ir à vida. É preciso assumir o compromisso. Aquela cache vai precisar do nosso cuidado paterno. Não se mudam as fraldas, mas muda-se o logbook. Não precisa de roupa nova à medida que cresce, mas precisa de containers novos à medida que os anteriores se vão partindo. De resto, tudo isto consta das linhas condutoras. Esperar que os outros tomem conta das nossas criações é tão injusto como contar com os vizinhos para cuidarem das nossas crianças.

Lição 7: Coordenadas. Parece evidente. E é. Ao criar uma cache tem de fazer todos os possíveis para publicar as coordenadas correctas. Mas de tão evidente que é, mesmo assim, às vezes as coisas sucedem de forma diferente. Recolher as coordenadas através de ferramentas como o Google Earth, NÃO! Os resultados podem ter variações de dezenas de metros em relação ao ponto real. Se usar um GPS como deve ser (para estes efeitos), não se limite a tirar as coordenadas. Faça-o várias vezes, anotando-as sempre. Aproxime-se várias vezes. Desligue o GPS e torne a ligar. Deixe-o a marinar em cima da cache durante uns minutos e depois tire a coordenada. Por fim, faça a média de todos os valores obtidos. A gente agradeçe.

Lição 8: Maluqueiras, não! Publicar uma cache antes dela estar no local ou botar as coordenadas sem as verificar, NÃO. Parece claro mas a experiência diz que nem toda a gente se lembra disso. Resultado: hordas de pessoal a ir à procura no sítio onde a cache ainda não vive, ou a trepar uma encosta cobertinha de silvas enquanto a caixa se abriga debaixo da aba de um moinho no monte oposto, a rir-se de tudo aquilo.

Lição 9: Adaptação. É preciso meter uma coisa na cabeça: por vezes aquilo que para nós parece evidente, não o é para a esmagadora maioria das pessoas. Isto, no contexto corrente, significa que talvez cometamos erros na criação da nossa cache, erros esses que só serão descobertos pela interacção real com o “mercado”. O que é necessário é saber reconhecer que onde há muito fumo é capaz de existir fogo, e se ao fim de 20 logs, 10 referem um problema, talvez o que neles é indicado seja merecedor da nossa atenção e correcção. Uma cache classificada com 2 estrelas de grau de dificuldade que tem tantos “not founds” como “founds” se calhar é na realidade mais díficil do que isso, e não custa nada reconhecer o erro e corrigir. Se quando fomos deixar uma cache não sucedeu nada de especial, mas se os geocachers repetem nos logs o aparecimento de cães ameaçadores na área, talvez devamos considerar mudá-la de local. É preciso adaptar o nosso fruto inicial ao feedback que vamos recebendo nos logs.

Lição 10: Dar tempo ao tempo. Se começou a practicar Geocaching há pouco tempo, é boa ideia ganhar algum calo nestas andanças antes de criar. Os benefícios da aprendizagem são parte do senso comum, e quanto mais caixinhas encontrar mais aprenderá sobre a arte de bem criar uma cache. Se não conseguir refrear o entusiasmo e partir logo para as suas próprias criações, as probabilidades de cometer erros de palmatória elevam-se. E não há nexexidade. Nem para si, nem para os outros. O Geocaching não vai a lado nenhum, estará aqui à sua espera passado uns meses, quando já tiver visto de tudo e aprendido por experiência própria como se cria, mal ou bem, uma cache.

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